Publicado por: paulabertho | novembro 29, 2012

Para o dia de hoje…

“É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso, do que à ponta da espada.”

William Shakespeare

 

“Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e
sorriso nos lábios.”

Martin Luther King

 

“Saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”

Rubem Alves

Publicado por: paulabertho | novembro 22, 2012

Primavera, novembro de 2012

Publicado por: paulabertho | novembro 20, 2012

Simone de Beauvoir

“É o trabalho que pode garantir uma independência concreta à mulher.”

“Todas as vitórias ocultam uma abdicação.”

“Em todas as lágrimas há uma esperança.”

“Renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade.”

“As oportunidades do indivíduo não as definiremos em termos de felicidade, mas em termos de liberdade.”

“Que nada nos delimite. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”

“O que é um adulto? Uma criança de idade.”

“Encanto é o que alguns têm até que começam a acreditar que, de fato, o têm.”

“Não há uma pegada do meu caminho que não passe pelo caminho do outro.”

“Eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca, de ser mulher.”

“Apesar de tudo, o amor era menos simples do que se julgava. Era mais forte do que o tempo. O amor, no fim das contas, era feito de inquietações, de renúncias, de pequenas tristezas e grandes alegrias que surgiam a todo instante.”

“Entretanto, não se deve acreditar que todas as dificulades se atenuem nas mulheres de temperamento ardente. Ao contrário, podem exasperar-se. A pertubação feminina pode atingir uma intensidade que o homem não conhece.”

Publicado por: paulabertho | novembro 20, 2012

Lições Prosódicas

Lições Prosódicas

por Eduardo de Moraes Sabbag

Certa vez, apliquei uma prova de Português, cujo tema era a pronúncia de vocábulos. Pedi aos alunos que se manifestassem sobre a frase abaixo, justificando-se à luz das regras de prosódia:

“A subsunção do termo à pronúncia correta é a subsistência da prosódia.”

Subsídios para quê?

O resultado não foi satisfatório. O estudante teve que enfrentar a pronunciação de palavras que nos “pregam peças” dia a dia: subsunção, subsistência e subsídio.

Vamos à explicação:

Muito utilizado na linguagem forense, o verbo subsumir tem a acepção de “algo que se encontra compreendido em” ou, mais tecnicamente, “o conceito da concordância ou enquadramento de um caso concreto com o preceito abstrato”. Entretanto, a celeuma não se encontra em sua definição, mas na pronúncia e na conjugação verbal. Antes de aprendermos a pronunciar com perfeição o verbo, é necessário atenção à conjugação verbal. Para alguns, trata-se de verbo regular; para outros, irregular.

A dúvida é instigante: deve-se falar “ele subsume” ou “ele subsome”?

Como verbo irregular, o radical sofre modificações nos tempos verbais, conjugando-se como “sumir”. Se digo “ele some”, direi “ele subsome”; se anuncio “eles somem”, anunciarei “eles subsomem”. Nessa esteira, segue o rigor da lexicografia do Aurélio.

Em outro giro, como verbo regular, o radical permaneceria imutável, não provocando dificuldades ao anunciante. É o ponto de vista do eminente dicionarista Houaiss. Note a conjugação, no presente do indicativo: eu subsumo, tu subsumes, ele subsume, nós subsumimos, vós subsumis, eles subsumem.

Diante da divergência, como ficaremos? Em homenagem à simplicidade, recomendo aos meus estimados alunos que considerem o verbo como regular. Portanto, falaremos “ele subsume”, em vez de “ele subsome”, não obstante reconhecermos que são formas igualmente dicionarizadas.

Superada a conjugação verbal, faz-se necessário enfrentarmos a pronúncia no vocábulo subsumir: o -s intermediário tem o som real de “s” (como em subsolo) ou de “z” (como em subzona)?

Entendemos que a pronúncia adequada é aquela com som de “s”, quando a letra -s se encontra entre uma consoante e uma vogal. Sabe-se que o som de “z” despontaria se a mencionada letra viesse entre vogais (casa, peso, vaso). Assim, devemos falar “subsunção” e “subsumir” com o -s sibilante, surdo (/ss/), evitando o barbarismo fonético oriundo da forma com /z/.

A regra é igualmente aplicável ao termo subsídio: o segundo -s – elemento de incontáveis casos de pronúncia equivocada – deve ter som de “s”, e não de “z”, conforme o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), em sua 5ª edição (2009). O curioso é que não temos dúvida em “subsolo” (com som de “s”, é claro!), mas temos em “subsídio”. Coisas da Língua…

Por fim, não perca de vista que os vocábulos subsistir, subsistente e subsistência apresentam-se no VOLP 2009 com pronúncia oscilante (/s/ ou /z/). O caso de obséquio é diferente: adveio do latim, tendo o -s valor de -z. Portanto, pronuncia-se obséquio /z/.

Portanto, se o tema “subsunção” é enquadramento, que tal nos enquadramos à pronúncia adequada: subsunção /s/, subsídio /s/ e subsistir /s/ ou /z/.

Essa foi a recomendação para os alunos em sala, após a correção da prova. De fato, puderam entender que a subsunção do termo à pronúncia correta é a subsistência da prosódia. Subsídios para quê?

Fonte: Carta Forense, outubro de 2012.

Publicado por: paulabertho | novembro 14, 2012

Alegria

Publicado por: paulabertho | novembro 4, 2012

… aprender a escrever a sua vida…

“A pedagogia do oprimido é, pois, libertadora de ambos, do oprimido e do opressor. Hegelianamente diríamos: a verdade do opressor reside na consciência do oprimido.

Paulo Freire traduz, em forma de lúcido saber sócio-pedagógico, sua grande e apaixonante experiência de educador. Experiência e saber que se dialetam, densificando-se, alongando-se e dando, com nitidez cada vez maior, o contorno e o relevo de sua profunda intuição central: a do educador de vocação humanista que, ao inventar suas técnicas pedagógicas, redescobre por meio delas o processo histórico em que e por que se constitui a consciência humana. Ou, aproveitando uma sugestão de Ortega, o processo em que a vida como biologia passa a ser vida como biografia.

Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se. Por isso, a pedagogia de Paulo Freire, sendo método de alfabetização, tem como idéia animadora toda a amplitude humana da “educação como prática da liberdade”, o que, em regime de dominação, só se pode produzir e desenvolver na dinâmica de uma “pedagogia do oprimido”.”

Publicado por: paulabertho | outubro 30, 2012

Estar bem e feliz

“Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber não hesitar em usar o bom senso, a maturidade ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas, que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.”

~ Friedrich Nietzsche ~

Publicado por: paulabertho | outubro 25, 2012

A teia mental da linguagem

Como agem as redes neurais que permitem a interação humana

 

Por muito tempo, o estudo linguagem se restringiu à análise das línguas, e só em seus aspectos gramaticais (fonológicos, léxicos, sintáticos) ou sociais. Ao mesmo tempo, falar é algo tão intuitivo que é uma das primeiras coisas que aprendemos na vida. Por isso, não nos damos conta da complexidade dos processos mentais envolvidos na formulação de uma simples frase. Só na década de 90 (“década do cérebro”), pesquisas sobre funcionamento da mente, pela neurociência, lançaram luz sobre a relação entre o cérebro e a linguagem. O desafio é explicar não só como somos capazes de aprender a dominar um código complexo como a linguagem em idade tão tenra, mas como é possível formular enunciados complexos e dotados de lógica em fração de segundos. Ou seja, como conseguimos pensar e falar ao mesmo tempo. Essas pesquisas inauguraram ciências de fronteiras como a neurolinguística (não confundir com Programação Neurolinguística, que é técnica de auto-ajuda) e a semiótica cognitiva.

 

Processo

Como exceção dos provérbios, das frases feitas e das expressões idiomáticas (“puxa vida”, “que legal”, “só me faltava essa”, “não me admira”, “só se for agora”), que já estão estocados na memória, as frases e os textos que produzimos, oralmente ou por escrito, são inéditos e irrepetíveis: nunca os dissemos antes, nunca os diremos de novo. Então, como fazemos para criá-los? O ato lingüístico parte de uma elaboração mental, que se dá num nível conceptual profundo, de maneira abstrata, como se nossa mente convertesse os conceitos (todas as “coisas” em que podemos pensar) e as relações entre eles em equações matemáticas.

Esse processamento se assemelha ao de um computador (na verdade, o computador é simulacro da mente humana), pois o cérebro trabalha com impulsos elétricos. É claro que, quando pensamos, imagens surgem na nossa mente, mas como imagens já são uma forma de linguagem, também são decorrência desse processamento abstrato prévio.

 

Estrutura vazia

A partir daí, e de maneira bem resumida, pois a descrição detalhada do processo demandaria um livro, o enunciado conceptual formulado passa por vários níveis de transformação para resultar nas imagens, sons, palavras e gestos que povoam nossa cabeça enquanto pensamos (e que já são linguagens).

No caso da linguagem verbal, é nesse ponto que entra em ação a gramática universal proposta por Chomsky. A partir dela é que o cérebro busca formas lingüísticas correspondentes na língua nativa do indivíduo (ao falar língua estrangeira, o processo é ainda mais complicado).

Nesse momento, dois módulos cerebrais distintos, responsáveis pelo vocabulário e pela sintaxe, interagem de modo a criar uma estrutura sintática “vazia” (por exemplo, sujeito – verbo – complemento) a ser simultaneamente preenchida com palavras. E já se sabe desde Saussure (início do século passado) que a língua é estrutura sintagmática linear, em que cada “casa” (cada sintagma) é preenchida por um elemento extraído de um paradigma, ou seja, de uma lista de elementos que podem ocupar aquela posição.

Isso significa que, à medida que construímos uma frase, criamos uma estrutura sintática e preenchemos seus sintagmas com palavras que escolhemos em razão da conceptualização que havíamos realizado. Isso me obriga a decidir, por exemplo, com qual termo completarei a frase “Milton Nascimento é um grande ________”: “cantor”, “artista”, “músico”…?

 

Redes neurais

Mas quando pensamos numa palavra, acionamos simultaneamente várias redes neurais.

Junto com o conceito vem a imagem acústica da palavra, isto é, sua pronúncia (e, nesse caso, ouvimos internamente nossa voz e maneira de pronunciar), e, no caso das pessoas letradas, sua imagem gráfica, em cursivo ou letra de imprensa. (Quem grafa “atravez” ou “kilo” demonstra não ter imagem gráfica associada a essas palavras, pois tal imagem se fixa na mente com o hábito da leitura.)

Mas vem também toda uma teia de associações com outras palavras, por similaridade (“aquecimento” x “calor” x “quente”) e por contiguidade (“aquecimento” x “global”). Vem a estrutura morfológica da palavra em termos de flexão (gênero, número, conjugação verbal, regência, etc.), pois temos de inseri-la numa frase em que ela terá de concordar com outras. Vem ainda a carga semântica que a palavra tem para nós (lembranças de ocorrências do vocábulo que nos marcaram, imagens mentais evocadas por ele, sensações e sentimentos associados), o que nos faz preferir certos termos a outros, configurando assim o nosso estilo pessoal de falar ou escrever.

 

Imagem motora

Por fim, a ocorrência de uma palavra na mente aciona uma imagem motora, isto é, um conjunto de instruções que o cérebro envia aos órgãos responsáveis pela comunicação.

Se estamos falando, junto à imagem acústica vem o esquema muscular de nosso aparelho fonador; é por isso que, mesmo quando pensamos ou lemos, nossa língua se movimenta dentro da cavidade bucal como se falássemos de boca fechada.

Se estamos escrevendo, o esquema muscular consiste em instruções enviadas pelo cérebro às nossas mãos – e há uma grande diferença entre escrever à mão ou digitar num teclado: nosso cérebro desenvolveu dois esquemas musculares diferentes, correspondentes a essas duas habilidades manuais distintas. Vem ainda a gestualidade associada à palavra, como quando dizemos “Legal!” e simultaneamente estendemos o polegar para cima, num gesto de aprovação.

O mais surpreendente é que, sobretudo no caso da fala espontânea, todo esse processo se dá em frações de segundo, o que mostra que o cérebro tem uma velocidade de processamento que os computadores mais sofisticados ainda não conseguiram alcançar. E ocupando um volume menor do que muitas CPUs.

Aldo Bizzocchi é doutor em Lingüística pela USP e autor de “Léxico e ideologia na Europa Ocidental” (Annablume Editora); www.aldobizzocchi.com.br

Publicado por: paulabertho | outubro 24, 2012

Brazuca

Brazuca é o nome escolhido para a bola da Copa de 2014

Por Sérgio Rodrigues, titular do blog “Sobre Palavras”

A escolha do nome da bola que a Adidas lançará para a Copa do Mundo de 2014 foi feita por votação na internet a partir de uma lista tríplice. Com 77,8% das preferências, Brazuca derrotou Bossa Nova e Carnavalesca.

Como quase todos os analistas da língua que estão de plantão esta semana, lamentei a notícia (considerava Bossa Nova o menos ruim de três nomes fracos), mas por motivos diversos. Não é a grafia com z que me incomoda, mas a palavra em si. Convém explicar.

Sim, é verdade que todos os dicionários e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, registram apenas brasuca, com s. Afinal, a palavra não é derivada de Brasil, brasileiro? Eis toda a base para a argumentação dos que implicaram com a grafia. Uma argumentação que deixa de levar em conta dois fatos singelos:

1. A forma brazuca é muito mais usada na vida real. Uma pesquisa no Google traz mais de 4 milhões de páginas, contra pouco mais de um décimo disso para brasuca. Pode-se defender a tese de que a preferência popular não é suficiente para alterar a grafia de um termo do vernáculo, mas atenção: estamos falando de palavra informal, brincalhona, recente. Brazuca é uma gíria, e as gírias, como todas as criações populares, têm a mania de escolher como serão conhecidas.

2. Ainda que não fosse assim, o batismo da bola da Copa do Mundo é um ato de branding, ramo do marketing que tem regras próprias, entre elas a de privilegiar formas gráficas fortes – e nesse mundo a letra z goza de grande prestígio. Naturalmente, a correspondência com a grafia “Brazil” numa marca destinada a ter circulação internacional também deve ter sido considerada um trunfo por seus criadores.

Se não é a grafia, o que sobra para criticar em Brazuca, a bola? Sua carga cultural idiota, só isso. O fato de que, brazuca ou brasuca, a palavra é um sinônimo tolo de brasileiro.

O termo nasceu em Portugal com tom depreciativo (o sufixo “uca”, o mesmo de mixuruca, deixa isso claro), numa espécie de contraponto ao nosso “portuga”. Até aí, tudo bem: a própria palavra brasileiro tinha uso pejorativo antes de ser assumida em espírito de desafio pelos nativos desta terra.

O problema é que, ao ser adotado por aqui, brazuca/brasuca virou um clichê patriótico viscoso, folclórico e carregado de autocomplacência, primo da malemolência, da ginga e da incrível musicalidade dos mulatos inzoneiros que habitam este gigante adormecido.

É por isso que Brazuca é bola fora – e Brasuca não seria melhor.

Fonte: Revista Veja, 24/09.

Publicado por: paulabertho | outubro 23, 2012

Sopro de vida

“Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida. Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo, so­frendo a incalculável dor que parece ser necessária ao meu amadurecimento — amadurecimento? Até agora vivi sem ele! É. Mas parece que chegou o instante de aceitar em cheio a misteriosa vida dos que um dia vão morrer. Tenho que começar por aceitar-me e não sentir o hor­ror punitivo de cada vez que eu caio, pois, quando eu caio, a raça humana em mim também cai. Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu co­ração está espantado. É por isso que toda a minha pa­lavra tem um coração onde circula sangue.”

Clarice Lispector, “Um Sopro de Vida”

Older Posts »

Categorias