Publicado por: paulabertho | abril 18, 2012

O Ego e o Outro

O saber erudito racional, que caracteriza um Ego que conhece grandes quantidades de coisas, isto é, de Outros, em realidade não conhece nenhum Outro tanto quanto pretende conhecer. A grande pretensão deste Ego de conhecer o Outro totalmente é uma ilusão narcísica, um desejo onipotente, capaz de inflar o Ego e fazê-lo sentir-se tão grande quanto o Self. Maya. Ilusão.

O conhecimento do Ego é sempre parcial. Depois do desenvolvimento do computador, a capacidade de memorização do Ego tornou-se algo tão irrisório que toda a empáfia do Ego de armazenar erudição sem vivência foi desmoralizada. Acabou-se a glória das pessoas eruditas que citavam de cor o conteúdo das páginas dos grandes autores. Assim, a própria tecnologia ajuda-nos a abrir mão da erudição não vivenciada como algo que nos sobrecarrega desnecessariamente a memória. Desta forma, a tecnologia favorece o abandono do culto do saber enciclopédico, economizando energia para cultivar o saber de Ser, que nenhuma máquina pode nos dar. O computador, além de ser uma máquina maravilhosa para armazenar erudição, tornou-se, assim, um fiel escudeiro na jornada heróica para separar a erudição da sabedoria.

O Ego e o Outro diferenciam-se a partir do infindável Self Cósmico que os enraíza e abrange. O conhecimento do Ego acerca do Outro e do Outro acerca do Ego é muito relativo, uma vez que as dimensões básicas da vida são comuns a ambos, como o continuum tempo-espaço. A diferenciação do Ego e do Outro impulsiona-os a conhecer cada vez mais suas diferenças, mas de forma sempre relativa, porque de forma absoluta ambos são sempre a expressão do Todo. A diferenciação do Ego e do Outro expressa o desenvolvimento do Self. As incontáveis relações do Ego e do Outro são símbolos e funções estruturantes do Self, presentes na Consciência, mas sempre enraizadas e oriundas da dimensão simbólica, sela ela do corpo, natureza, sociedade, idéia, imagem, emoção, palavra, número ou comportamento.

Fonte: BYINGTON. C. A. B. “A construção amorosa do saber”. São Paulo: Religare, 2003, p. 37.

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